Corpo-território
“Corpo território” inaugura o novo espaço expositivo do LAB MR e marca o início da programação anual de 2026, dedicada ao tema “Brasil: um imaginário”. Com curadoria de Ana Carolina Ralston, a mostra se apresenta como um ponto de inflexão, propondo o espaço expositivo como lugar de encontro entre práticas e discursos que atravessam arte, arquitetura e design.
Ao reunir investigações que partem da compreensão de que o território começa no corpo, a exposição mobiliza um campo relacional onde pertencimento, memória e formas de habitar se entrelaçam. As obras operam na construção de espacialidades sensíveis, nas quais corpo e terra se constituem em reciprocidade, deslocando a ideia de território como delimitação fixa para pensá-lo como experiência vivida, instável e continuamente reelaborada.
A mostra acompanha esse gesto inaugural ao propor o habitar como prática sensível, política e afetiva, evidenciando modos de existência que se dão na relação entre sujeito e espaço.
O território não começa no mapa.
Ele começa no corpo.
Antes de qualquer linha traçada, existe uma matéria física que sente, que pisa, que é atravessada pela terra. Corpo-território não é uma metáfora, é a compreensão de que o espaço não é algo externo a nós, mas algo que nos constitui e que constituímos em reciprocidade. A exposição surge do conceito atrelado a movimentos feministas comunitários indígenas (Abya Yala), que evidenciam o corpo como a primeira extensão territorial de vivências, memórias e lutas, inseparável da terra.
A mostra reúne Gustavo Utrabo, Henrique Sur, Hugo Fortes, Rodrigo Silveira e Tamikuã Txihi, artistas cujas práticas transitam entre arte, arquitetura e design. A proposta é refletir o espaço não apenas como construção formal, mas como experiência relacional. Aqui, arquitetura não é apenas edificação; design não é apenas função; arte não é apenas representação. São três modos de estruturar o pertencimento. A terra se confirma como extensão sensível da existência. Nessa perspectiva, natureza, arquitetura e organização social se reafirmam como sistemas interdependentes.
Entre eles, emerge uma pergunta comum: como habitamos?
Habitar é ocupar ou é ser ocupado?
Construímos o espaço ou somos desenhados por ele?
Corpo-território é o reconhecimento de que cada gesto construtivo — seja uma obra, uma edificação ou um objeto — é também um gesto de pertencimento. A exposição propõe, portanto, uma travessia: da forma à raiz, da estrutura à carne, do chão ao corpo. Não se trata apenas de representar o território, mas de experienciá-lo como algo que pulsa.
Ana Carolina Ralston
Curadora
Obras

Tamikuã Txihi - Warete (2024). Acrílica e sementes sobre resina. 50x26x11cm
Tamikuã Txihi - Warete (2024).
Acrílica e sementes sobre resina.
50x26x11cm

Tamikuã Txihi - Tangará mirim (2025). Acrílica, carvão, urucum e caneta sobre tela. 100x120cm
Tamikuã Txihi - Tangará mirim (2025).
Acrílica, carvão, urucum e caneta sobre tela.
100x120cm

Tamikuã Txihi - Kuparaka (2022). Acrílica, carvão e terra sobre tela.30x30cm
Tamikuã Txihi - Kuparaka (2022).
Acrílica, carvão e terra sobre tela.
30x30cm

Tamikuã Txihi - Imakã ug kuhukê (mãe e filha abrigo para os sonhos em tempos difíceis) (2020) - Óleo sobre tela. 303x30cm
Tamikuã Txihi - Imakã ug kuhukê (mãe e filha abrigo para os sonhos em tempos difíceis) (2020)
Óleo sobre tela.
303x30cm

Rodrigo Silveira - Isto não é uma cadeira, está queimando (2019) - Madeira Café e corda de papel craft. 74x40x40cm
Rodrigo Silveira - Isto não é uma cadeira, está queimando (2019)
Madeira Café e corda de papel craft.
74x40x40cm

Rodrigo Silveira - Tipologia de uma segunda vida (2021) - Madeira Itaúba. 80x70x30cm
Rodrigo Silveira - Tipologia de uma segunda vida (2021)
Madeira Itaúba.
80x70x30cm

Rodrigo Silveira - Da árvore a cadeira (2014) - Madeira cabreúva. 290x35x65cm
Rodrigo Silveira - Da árvore a cadeira (2014)
Madeira cabreúva.
290x35x65cm

Rodrigo Silveira - Banco (2024) - Madeira canafistula carbonizada e pés em sucupira. 39x25x29cm
Rodrigo Silveira - Banco (2024)
Madeira canafistula carbonizada e pés em sucupira.
39x25x29cm

Hugo Fortes - Abismos Glaciais (2026) Aquários em vidro, parafina, argila e pigmento. Dimensões variáveis
Hugo Fortes - Abismos Glaciais (2026)
Aquários em vidro, parafina, argila e pigmento.
Dimensões variáveis

Hugo Fortes - Uapê - Jaçanã (2023) - Parafina e pigmento. 90cm
Hugo Fortes - Uapê - Jaçanã (2023)
Parafina e pigmento.
90cm

Hugo Fortes - Uapê - Jaçanã (2023) - Parafina e pigmento. 60cm
Hugo Fortes - Uapê - Jaçanã (2023)
Parafina e pigmento.
60cm

Hugo Fortes - Uapê - Jaçanã (2023) - Parafina e pigmento. 60cm
Hugo Fortes - Uapê - Jaçanã (2023)
Parafina e pigmento.
60cm

Hugo Fortes - Uapê - Jaçanã (2023) - Parafina e pigmento. 30cm
Hugo Fortes - Uapê - Jaçanã (2023)
Parafina e pigmento.
30cm

Hugo Fortes - Uapê - Jaçanã (2023) - Parafina e pigmento. 30cm
Hugo Fortes - Uapê - Jaçanã (2023)
Parafina e pigmento.
30cm

Hugo Fortes - Mamirauá #6 (2022) - Acrílica sobre tela. 80x70cm
Hugo Fortes - Mamirauá #6 (2022)
Acrílica sobre tela.
80x70cm

Hugo Fortes - Mamirauá #4 (2022) - Acrílica sobre tela. 120x80cm
Hugo Fortes - Mamirauá #4 (2022)
Acrílica sobre tela.
120x80cm

Hugo Fortes - Mamirauá #1 (2023) - Acrílica sobre tela. 180x120cm
Hugo Fortes - Mamirauá #1 (2023)
Acrílica sobre tela.
180x120cm

Hugo Fortes - Florestas do isolamento (2021) - Acrílica e aquarela sobre papel. 110x75cm
Hugo Fortes - Florestas do isolamento (2021)
Acrílica e aquarela sobre papel.
110x75cm

Hugo Fortes - Brasa Brasil #4 (2022) - Acrílica sobre papel. 50x70 cm
Hugo Fortes - Brasa Brasil #4 (2022)
Acrílica sobre papel.
50x70 cm

Hugo Fortes - Brasa Brasil #1 (2022) - Acrílica sobre papel. 110x75 cm
Hugo Fortes - Brasa Brasil #1 (2022)
Acrílica sobre papel.
110x75 cm

Henrique Sur - Intuição (2024) - Cerâmica esmaltada, argila terracota vermelha, esmalte azul oceano. 46x25x25 cm
Henrique Sur - Intuição (2024)
Cerâmica esmaltada, argila terracota vermelha, esmalte azul oceano.
46x25x25 cm

Henrique Sur - Forte (2024)Cerâmica esmaltada, argila terracota vermelha, esmalte azul oceano. 55X22X20 cm
Henrique Sur - Forte (2024)
Cerâmica esmaltada, argila terracota vermelha, esmalte azul oceano.
55X22X20 cm

Gustavo Utrabo - Sem títuo (2026). Aquarela e grafite sobre papel. 51X36 cm
Gustavo Utrabo - Sem títuo (2026).
Aquarela e grafite sobre papel.
51X36 cm

Gustavo Utrabo - Sem títuo (2026). Aquarela e grafite sobre papel. 51X36 cm
Gustavo Utrabo - Sem títuo (2026).
Aquarela e grafite sobre papel.
51X36 cm

Gustavo Utrabo - Sem títuo (2026). Aquarela e grafite sobre papel.51X36 cm
Gustavo Utrabo - Sem títuo (2026).
Aquarela e grafite sobre papel.
51X36 cm

Gustavo Utrabo - Sem títuo (2026). Aquarela e grafite sobre papel.51X36 cm
Gustavo Utrabo - Sem títuo (2026).
Aquarela e grafite sobre papel.
51X36 cm

Gustavo Utrabo - Sem títuo (2026). Aquarela e grafite sobre papel. 51X36 cm
Gustavo Utrabo - Sem títuo (2026).
Aquarela e grafite sobre papel.
51X36 cm

Gustavo Utrabo - Sem títuo (2026). Aquarela e grafite sobre papel. 51X36 cm
Gustavo Utrabo - Sem títuo (2026).
Aquarela e grafite sobre papel.
51X36 cm


















