Renan Quevedo

Renan Quevedo © LAB MR

Renan Quevedo costuma dizer que seu encontro com a Arte Popular Brasileira começou como uma constatação de ausência. Interessado por arte desde cedo, percebeu que havia crescido cercado por referências visuais, mas distante de uma parte fundamental da produção artística do país. Essa distância não era apenas individual. Ela revelava uma lacuna mais ampla na forma como aprendemos a olhar para a arte, para o Brasil e para os saberes que nascem fora dos espaços tradicionais de legitimação.

Foi esse deslocamento que deu origem ao Novos Para Nós, projeto de pesquisa, mapeamento e difusão da arte popular brasileira desenvolvido desde 2017. Percorrendo todas as macrorregiões do país e mais de 250 mil quilômetros, Renan constrói uma pesquisa que se desenvolve a partir da convivência e da experiência em campo, aproximando artistas, territórios e narrativas e evidenciando as relações entre criação, memória e identidade.

Loja Novos Para Nós de Renan Quevedo © LAB MR

"A arte popular é um complexo sistema de símbolos de identidade que o povo cria e preserva."

A frase, tomada por Renan a partir de Eduardo Galeano, orienta uma compreensão da Arte Popular Brasileira que não a reduz ao decorativo, ao espontâneo ou ao folclórico. Trata-se de uma produção que nasce da necessidade de dar forma ao vivido, transformando memória, trabalho, espiritualidade, território e experiência em matéria sensível. Essa leitura se sustenta em um método de pesquisa que Renan descreve como parcialmente objetivo e parcialmente subjetivo.

Coleção de Renan Quevedo © LAB MR

"Eu brinco que os textos são sempre escritos metade com coisas objetivas que eu vejo, cores, formas, matérias-primas, mas também tem um lado subjetivo que acaba ditando muito: o cheiro do café, a luz que entra e lava as peças de uma única vez."

Coleção de Renan Quevedo © LAB MR

Nessa aproximação entre dado e sensação, observação e presença, sua pesquisa se constrói atenta não apenas às obras, mas também aos contextos, às pessoas e aos vínculos que se estabelecem ao redor delas. O encontro torna-se parte fundamental do processo, ampliando o olhar sobre os modos de fazer que atravessam diferentes territórios do Brasil.

Essa mesma atenção aos vínculos aparece quando Renan fala sobre o motivo de seguir viajando, mesmo depois de centenas de encontros. Ele narra um movimento que atravessa todo o projeto: da obra para a pessoa que a produz, do objeto para a história que lhe dá origem.

"Me interessa muito a produção dessas pessoas, mas também me interessa falar sobre eles."

Renan Quevedo © LAB MR

Ao longo dos anos, essa pesquisa se desdobrou em exposições, palestras e parcerias com museus e galerias, além da criação de um espaço físico em São Paulo dedicado à circulação das obras dos artistas mapeados pelo Novos Para Nós. O percurso, que começou como uma busca por nomes ausentes de sua própria formação, hoje propõe um olhar para o Brasil construído a partir de seus modos de fazer, reconhecendo na arte popular um campo vivo de criação, memória e imaginação coletiva.